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Índice
Se os seus peixes estão a arfar à superfície, apáticos ou morrem sem razão aparente, a primeira coisa a verificar é quase sempre a amónia, o nitrito e o nitrato. São os três compostos do ciclo do azoto e explicam a maioria dos problemas de água num aquário de água doce. Neste guia explicamos o que é cada um, que níveis são seguros, porque disparam e como baixá-los de forma rápida e segura, sem destruir a colónia de bactérias que mantém o seu filtro a funcionar.
Os três números que importam: amónia 0, nitrito 0 e nitrato abaixo de 25-40 mg/l (menos de 20 mg/l para camarões e espécies delicadas). Qualquer leitura de amónia ou nitrito acima de 0 num aquário já ciclado é um sinal de alarme.
O que são e de onde vêm
Os peixes excretam amónia pelas brânquias e pela urina, e a comida que sobra, as plantas mortas e qualquer resto orgânico também a libertam ao decompor-se. Num aquário maduro, dois grupos de bactérias que vivem no filtro e no substrato fazem o trabalho sujo: umas transformam a amónia em nitrito e outras convertem o nitrito em nitrato. Esse processo é o ciclo do azoto, e estabelecê-lo leva 4 a 6 semanas num aquário novo, como explicamos no guia sobre a ciclagem do aquário.
- Amónia (NH3/NH4+): muito tóxica. Queima as brânquias e a pele. A toxicidade aumenta com o pH e a temperatura: com pH abaixo de 7 predomina o amónio (NH4+), muito menos nocivo; com pH alto, a amónia livre (NH3) é letal em pequenas doses.
- Nitrito (NO2-): também muito tóxico. Entra no sangue e bloqueia a hemoglobina, pelo que o peixe sufoca mesmo havendo oxigénio na água. As brânquias podem ficar acastanhadas.
- Nitrato (NO3-): muito menos tóxico, mas acumula-se sem parar. Em níveis altos e prolongados causa stress crónico, defesas baixas, cores apagadas, problemas de crescimento e alimenta as algas.
Níveis seguros: tabela de referência
Os testes indicam os resultados em mg/l, que equivalem a ppm. Esta tabela resume como interpretar as leituras num aquário tropical comunitário:
| Composto | Ideal | Alerta | Perigo |
|---|---|---|---|
| Amónia (total) | 0 mg/l | 0,25 mg/l | 0,5 mg/l ou mais (pior com pH alto) |
| Nitrito | 0 mg/l | 0,1-0,25 mg/l | 0,5 mg/l ou mais |
| Nitrato | Menos de 25 mg/l | 40-80 mg/l | Mais de 80 mg/l |
| Nitrato (camarões, discos, espécies delicadas) | Menos de 20 mg/l | 20-40 mg/l | Mais de 40 mg/l |
Tenha em conta que a água da torneira já pode trazer nitratos: em algumas zonas agrícolas chega com 20-40 mg/l. Meça-a antes de culpar o aquário; se vier alta, pode compensar misturá-la com água de osmose.
Porque disparam a amónia e o nitrito
Num aquário já ciclado, um pico de amónia ou nitrito significa que algo quebrou o equilíbrio entre o que é produzido e o que as bactérias conseguem processar. As causas mais comuns são:
- Aquário não ciclado: a clássica «síndrome do aquário novo», ao introduzir peixes antes de haver bactérias suficientes.
- Excesso de comida: o que não é comido em 2-3 minutos apodrece no fundo.
- Demasiados peixes ou a chegada de um grupo grande de uma só vez.
- Um peixe ou caracol morto escondido entre as plantas ou atrás da decoração.
- Limpeza agressiva do filtro: lavá-lo com água da torneira, trocar todo o material de uma vez ou limpar filtro e substrato no mesmo dia.
- Filtro parado várias horas por um corte de energia ou avaria: as bactérias ficam sem oxigénio e morrem.
- Medicamentos, sobretudo alguns antibióticos, que danificam as bactérias nitrificantes.
O nitrato alto, pelo contrário, costuma ter causas mais lentas: poucas mudanças de água, muita população, sobrealimentação crónica, substrato muito sujo ou água da torneira já carregada.
Como baixar a amónia, os nitritos e os nitratos
Emergência: amónia ou nitrito acima de 0
- Mudança de água imediata de 30-50 % com condicionador e água à mesma temperatura. Se a leitura continuar alta, repita no dia seguinte.
- Deixe de alimentar 1-2 dias e depois dê doses muito pequenas.
- Use um condicionador que neutralize amónia e nitrito: alguns produtos tornam-nos temporariamente menos tóxicos durante 24-48 horas enquanto as bactérias recuperam. Não substitui a mudança de água.
- Adicione bactérias engarrafadas para acelerar a recuperação da colónia, sobretudo após um problema com o filtro.
- Aumente a oxigenação com um arejador ou agitando mais a superfície: bactérias e peixes precisam dela.
- Procure a causa: peixes mortos, comida podre ou um filtro que não funciona.
Não limpe nem troque o material filtrante durante um pico. É a reação instintiva e a pior possível: o filtro é onde vive quase toda a colónia de bactérias. Se o lavar com água da torneira ou puser esponjas novas, o pico vai piorar. Também não troque 100 % da água: o choque de parâmetros pode ser mais prejudicial do que o próprio problema.
Manter o nitrato baixo a longo prazo
- Mudanças de água regulares: 20-30 % por semana é a ferramenta principal; nenhum filtro elimina o nitrato. Tem o passo a passo no guia de mudanças de água.
- Plantas de crescimento rápido: as plantas consomem nitrato como adubo. As flutuantes e espécies como o ceratófilo são especialmente eficazes.
- Menos comida e de melhor qualidade: o que comerem em 2-3 minutos, 1-2 vezes por dia.
- Sifone o substrato por zonas para retirar a matéria orgânica acumulada.
- Manutenção do filtro sem matar as bactérias: passe esponjas e cerâmicas por água retirada do aquário, só quando o caudal baixar; nunca troque todo o material de uma vez e separe por uma semana a limpeza do filtro e a do fundo.
- Reveja a população: se precisa de mudanças enormes a cada poucos dias para controlar o nitrato, provavelmente há peixes a mais para o aquário.
Testes: quais usar e quando medir
Sem medir, tudo são suposições. Há dois tipos de testes de água:
- Testes de gotas (reagentes líquidos): mais precisos e mais económicos a longo prazo. Marcas como JBL, Sera, API ou Tetra vendem kits com amónia, nitrito, nitrato, pH e KH. São a melhor opção para a ciclagem e para resolver problemas.
- Tiras reagentes: rápidas e práticas para controlos de rotina, mas menos fiáveis, sobretudo para a amónia. Guarde-as bem fechadas e respeite a validade.
Quando medir: diariamente ou dia sim dia não durante a ciclagem; uma vez por semana num aquário estável (antes da mudança de água, para ver o nitrato máximo); e sempre que notar peixes estranhos, água turva ou depois de adicionar peixes, medicar ou limpar o filtro. Espécies sensíveis, como os camarões red cherry, são muitas vezes as primeiras a dar o alarme.
Erros comuns
- Medir só o pH e assumir que a água está bem.
- Confiar que a água «parece limpa»: a amónia e o nitrito são invisíveis.
- Lavar o filtro com água da torneira ou renovar todo o material de uma vez.
- Usar produtos «anti-nitratos» em vez de mudar a água: escondem o sintoma, não a causa.
- Adicionar muitos peixes ao mesmo tempo num aquário acabado de ciclar.
- Usar tiras fora de validade ou mal conservadas, que dão leituras falsas.
- Não medir a água da torneira quando o nitrato não desce apesar das mudanças.
Com um teste fiável, mudanças de água constantes e alimentação moderada, a amónia e o nitrito ficam a 0 e o nitrato sob controlo. É a base de tudo o resto: peixes com cores mais vivas, mais ativos e com muito menos doenças.
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Perguntas frequentes
Que nível de nitratos é seguro num aquário?
O ideal é mantê-los abaixo de 25-40 mg/l num aquário comunitário, e abaixo de 20 mg/l com camarões, discos ou outras espécies delicadas. Acima de 80 mg/l o risco para os peixes é elevado.
Porque tenho nitritos num aquário que já estava ciclado?
Normalmente porque algo danificou as bactérias ou aumentou muito a carga: limpeza do filtro com água da torneira, troca de todo o material filtrante, um corte de energia longo, medicamentos, um peixe morto ou excesso de comida. Faça mudanças de água de 30-50 % e procure a causa.
Quanto tempo demora o nitrito a baixar?
Com mudanças de água o nível baixa de imediato, mas o problema só se resolve quando as bactérias recuperam, o que pode levar de alguns dias a duas semanas. As bactérias engarrafadas e não limpar o filtro ajudam a encurtar esse tempo.
As tiras reagentes são fiáveis?
Servem para controlos rápidos, mas são menos precisas do que os testes de gotas, sobretudo para a amónia. Para ciclar um aquário ou diagnosticar um problema é melhor usar reagentes líquidos.
As plantas eliminam os nitratos?
Ajudam muito, porque os usam como nutriente, especialmente as plantas flutuantes e as de crescimento rápido. Mas não substituem as mudanças de água semanais, exceto em aquários muito plantados e com pouca população.
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