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A alimentação é a parte do aquário de que mais gostamos e, ao mesmo tempo, a que mais problemas causa. A maioria dos peixes que adoecem ou morrem em aquários de principiantes não passa fome: come demais. A comida que sobra apodrece, faz disparar o amoníaco e os nitratos, turva a água e alimenta as algas. Neste guia explicamos quanto e quantas vezes alimentar os peixes, como adaptar a dieta a cada tipo, o que fazer com os peixes de fundo, os alevins e as férias, e como perceber que está a exagerar.
A regra de ouro: dê apenas o que os peixes comem em 2-3 minutos, uma ou duas vezes por dia, e faça um dia de jejum por semana. Se ficar comida no fundo depois desses minutos, da próxima vez dê menos.
Quanta comida: a regra dos 2-3 minutos
Não existe uma quantidade em gramas que sirva para todos os aquários, porque depende do número de peixes, do tamanho e da atividade. Por isso usa-se uma regra prática: deite uma pitada pequena, observe e junte um pouco mais só se acabarem em menos de um minuto. Passados 2-3 minutos, o que ficar a flutuar ou no fundo está a mais. Outra referência útil: o estômago de um peixe tem mais ou menos o tamanho do olho. Uma porção razoável para um tetra néon são apenas dois ou três pedacinhos de flocos.
Algumas orientações:
- Comece com pouco: pode sempre juntar mais, mas não pode retirar o que já se dissolveu.
- Esmague os flocos se os peixes forem pequenos; pedaços grandes acabam no fundo.
- Retire os restos com uma rede ou um sifão se exagerar.
- Observe todos: num aquário comunitário os peixes rápidos açambarcam a comida e os tímidos ficam sem nada.
Com que frequência alimentar cada tipo de peixe
Para a maioria dos peixes tropicais adultos chegam 1-2 refeições por dia. É melhor dividir a mesma quantidade em duas refeições pequenas do que dar uma grande. Alguns grupos têm necessidades diferentes:
| Tipo de peixe | Frequência | Comentários |
|---|---|---|
| Comunitários (tetras, rasboras, guppys, platys) | 1-2 vezes por dia | Flocos ou microgrânulos de qualidade, com variedade |
| Betta | 1-2 vezes por dia, porções mínimas | Muito propenso à obesidade e à prisão de ventre |
| Peixes-dourados e de água fria | 1-2 vezes por dia; menos com água fria | Produzem muitos resíduos; abaixo de 12-14 °C comem muito pouco |
| Ciclídeos grandes | 1 vez por dia ou em dias alternados (adultos) | Grânulos grandes; os juvenis comem mais vezes |
| Peixes de fundo (coridoras, plecos, botias) | 1 vez por dia, ao apagar a luz | Pastilhas que afundam |
| Camarões | A cada 1-2 dias, muito pouco | Vivem em grande parte de biofilme e algas |
| Alevins | 3-5 vezes por dia, quantidades minúsculas | Alimento em pó ou artémia acabada de eclodir |
A temperatura influencia: com água mais quente o metabolismo acelera e os peixes comem mais; num aquário frio comem menos. Para saber mais, consulte o guia de temperatura do aquário.
O dia de jejum e a variedade
Um dia sem comida por semana é habitual e benéfico para peixes adultos saudáveis: ajuda a esvaziar o intestino, reduz o risco de prisão de ventre e dá descanso ao filtro. Não o faça com alevins nem com peixes doentes ou acabados de chegar que ainda não recuperaram.
A variedade é tão importante como a quantidade. Uma boa base de comida em flocos ou grânulos de qualidade (Tetra, JBL, Sera, Hikari e semelhantes) cobre quase tudo, mas convém complementar:
- Alimento congelado (artémia, dáfnia, larva de mosquito) uma ou duas vezes por semana, descongelado num pouco de água do aquário.
- Vegetais para herbívoros e omnívoros: curgete ou pepino escaldados, espinafres ou pastilhas com espirulina.
- Alimento liofilizado como prémio ocasional; é melhor hidratá-lo antes para não inchar no estômago.
Verifique o prazo de validade e guarde a comida bem fechada num local fresco: os flocos abertos perdem vitaminas em poucos meses. Compre embalagens pequenas se tiver poucos peixes.
Peixes de fundo, alevins e camarões
Os peixes de fundo não vivem dos restos. As coridoras panda e outras coridoras, os ancistrus e as botias precisam de comida própria: pastilhas ou grânulos que afundam depressa. Dê-as mesmo antes de apagar a luz, quando os peixes de meia água estão menos ativos, e confirme que chegam ao fundo. Tem opções na nossa comparação de comida para peixes de fundo. Plecos e ancistrus precisam ainda de madeira e vegetais.
Os alevins têm um estômago minúsculo e crescem muito depressa, por isso precisam de comer pouco e muitas vezes: 3 a 5 refeições por dia de alimento em pó, flocos moídos entre os dedos ou náuplios de artémia. Se cria vivíparos, o guia como criar guppys explica tudo em detalhe. Com alevins, as mudanças de água frequentes são ainda mais importantes, porque se acumula muita comida por comer.
Os camarões comem sobretudo o biofilme que cresce nas plantas, na madeira e no vidro. Num aquário maturado basta dar-lhes uma pitada muito pequena a cada um ou dois dias.
O que fazer nas férias
Um peixe adulto saudável num aquário estável aguenta sem problemas 3 a 7 dias sem comer. Para saídas curtas, o melhor é não fazer nada: um pouco de jejum é mais seguro do que excesso de comida. Para ausências mais longas:
- Alimentador automático: os alimentadores automáticos doseiam flocos ou grânulos a horas fixas. Teste-o uma semana antes de partir e ajuste-o para metade da porção habitual.
- Um vizinho ou familiar: deixe a comida preparada em caixas de comprimidos com a dose de cada dia. Assim evita que, com boa intenção, ponha comida a mais.
- Blocos de férias: de gesso ou gel, podem turvar a água e alterar os parâmetros; use-os com cautela.
Tem mais conselhos no guia o que fazer com o aquário nas férias.
Sinais de que está a dar comida a mais
Cuidado com o excesso de comida: é a causa mais comum de amoníaco e nitritos altos em aquários já ciclados. Se notar vários destes sinais, reduza a porção para metade e faça uma mudança de água de 25-30 %.
- Restos de comida no substrato ou nas plantas passados 5 minutos.
- Água turva ou esbranquiçada e mau cheiro.
- Aumento de algas e aparecimento massivo de pequenos caracóis.
- Nitratos que sobem muito depressa entre mudanças de água, ou amoníaco e nitritos detetáveis.
- Peixes inchados, preguiçosos ou com fezes compridas penduradas.
- Película gordurosa à superfície da água.
Erros típicos ao alimentar os peixes
- Dar comida sempre que os peixes «pedem»: parecem ter sempre fome; é instinto.
- Alimentar todos com o mesmo: peixes de fundo e herbívoros precisam de alimento próprio.
- Usar flocos abertos há um ano: perdem valor nutritivo.
- Dar muita comida logo depois de montar o aquário, antes de terminar a ciclagem.
- Deixar outra pessoa alimentar sem doses preparadas durante as férias.
- Não retirar os restos de vegetais ou de alimento congelado.
Alimentar pouco, de forma variada e regular é uma das maneiras mais simples de manter a água limpa e os peixes saudáveis.
Equipamento recomendado para este guia
Perguntas frequentes
Quantas vezes por dia se deve alimentar os peixes?
A maioria dos peixes adultos de aquário come uma ou duas vezes por dia, apenas o que consome em 2-3 minutos. Os alevins precisam de 3 a 5 refeições diárias muito pequenas e alguns ciclídeos grandes adultos podem comer uma vez por dia ou em dias alternados.
Quanto tempo aguentam os peixes sem comer?
Um peixe adulto saudável num aquário estável aguenta sem problemas 3 a 7 dias. Os alevins e os peixes muito pequenos toleram muito pior o jejum. Para ausências mais longas use um alimentador automático ou peça ajuda com doses preparadas.
É bom fazer um dia de jejum por semana?
Sim, em peixes adultos saudáveis. Ajuda a esvaziar o intestino, previne a prisão de ventre e reduz a carga do filtro. Não o aplique a alevins, peixes doentes ou acabados de chegar.
Os peixes de fundo alimentam-se dos restos?
Não. Coridoras, plecos e botias precisam de alimento próprio que afunde, como pastilhas ou grânulos de fundo. O ideal é dá-lo ao apagar a luz para chegar ao fundo sem que os outros o comam.
Como sei se estou a dar comida a mais?
Se ficarem restos ao fim de 5 minutos, a água turvar, surgirem muitas algas ou caracóis ou os nitratos subirem muito depressa, está a dar demais. Reduza a porção e faça uma mudança de água.
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