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Aquário plantado para iniciantes: luz, substrato, adubo e CO2

Como começar um aquário plantado: luz, substrato, adubos, se precisas de CO2 ou não, plantas fáceis, como plantar e podar, e como manter o equilíbrio sem algas.

Por Equipa AcuarioSano Atualizado em 7 min de leitura
Aquário plantado para iniciantes: luz, substrato, adubo e CO2

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Índice +

Um aquário plantado não é apenas mais bonito: as plantas consomem nitratos e fosfatos, competem com as algas, dão abrigo aos peixes e estabilizam a água. O problema é que muitos iniciantes compram plantas, enterram-nas em gravilha inerte com a luz que vinha de origem e, três semanas depois, têm folhas transparentes e algas por todo o lado. Neste guia explicamos os quatro pilares de um aquário plantado (luz, substrato, adubo e carbono), a diferença entre uma montagem simples e uma de alta tecnologia, que plantas escolher para começar, como plantar e podar, e como manter o equilíbrio que evita as algas.

O essencial: começa com uma montagem low-tech (luz moderada, sem CO2, plantas lentas e resistentes), planta muito desde o primeiro dia, mantém a luz 6-8 horas com temporizador e aduba pouco mas de forma constante. Quando isso funcionar, podes subir de nível.

Os quatro pilares: luz, substrato, adubo e carbono

Uma planta precisa de luz para fazer a fotossíntese, de carbono (CO2) para construir tecido e de nutrientes que retira da água e do substrato. A regra de ouro é que estes fatores têm de estar equilibrados: o que falta limita o crescimento e o que sobra é aproveitado pelas algas. Muita luz com pouco CO2 e pouco adubo é a receita clássica do desastre.

Luz

A luz é o motor: quanto mais luz, mais depressa crescem as plantas e mais CO2 e adubo precisam. As calhas LED próprias para plantas (Chihiros, Twinstar, Fluval Plant ou semelhantes) oferecem espetro completo e permitem regular a intensidade. Num aquário low-tech basta luz moderada; as plantas de tapete e as plantas vermelhas exigem bastante mais. O que não muda é a duração: 6-8 horas por dia, começando com 6 num aquário novo. Mais horas não compensam pouca intensidade e quase sempre trazem algas. Explicamos tudo em quantas horas de luz precisa um aquário, e na comparação de iluminação LED para aquário plantado tens os critérios para escolher.

Substrato

Há dois caminhos. O substrato nutritivo (tipo «aqua soil», como os da ADA, Tropica, JBL ou Dennerle) são bolinhas de terra cozida carregadas de nutrientes que favorecem as raízes, baixam um pouco o KH e o pH e são a base de quase todos os aquários de aquascaping. A contrapartida: libertam amónio nas primeiras semanas e esgotam-se em um ou dois anos. A alternativa é gravilha ou areia inerte com uma camada fértil por baixo ou com pastilhas de adubo para raízes enterradas junto às plantas exigentes. Funciona muito bem em montagens simples. Compara opções em substratos nutritivos para aquário plantado.

Adubo

As plantas consomem macronutrientes (azoto, fósforo e potássio) e micronutrientes (ferro, magnésio, manganês e outros). Num aquário com poucos peixes e muitas plantas, os peixes não fornecem o suficiente, e o potássio e o ferro costumam ser os primeiros a faltar. Um adubo líquido completo, doseado uma ou duas vezes por semana depois da mudança de água, serve para a maioria dos aquários low-tech. Em high-tech doseia-se quase todos os dias. Começa sempre por metade da dose do fabricante e aumenta se vires carências.

Carbono (CO2)

O CO2 é o nutriente mais escasso na água: um aquário sem injeção tem cerca de 3-5 mg/l, enquanto as plantas exigentes rendem ao máximo com 20-30 mg/l. Por isso o CO2 marca a fronteira entre os dois tipos de aquário plantado.

Low-tech ou high-tech: precisas de CO2?

Não, para começar não precisas. Muitíssimas plantas crescem bem sem CO2 adicionado, apenas mais devagar. A tabela resume as diferenças:

AspetoLow-tech (sem CO2)High-tech (com CO2)
LuzBaixa ou médiaMédia-alta ou alta
CO2Não (no máximo carbono líquido)Garrafa pressurizada, 20-30 mg/l
AduboSemanal, doses baixasDiário ou quase, doses altas
CrescimentoLento: podas a cada poucas semanasRápido: podas semanais
Plantas possíveisAnúbias, fetos, criptocorines, musgos, valisnériaTambém plantas de tapete, vermelhas e caules finos
Risco de algas se algo falharBaixo: o sistema perdoaAlto: um desajuste nota-se em dias
ManutençãoPoucaMuita e constante

Se mais tarde quiseres atapetar o fundo ou conseguir vermelhos intensos, no nosso guia de CO2 no aquário explicamos como montar um sistema com segurança.

Plantas fáceis para começar

Para um primeiro aquário plantado procura plantas resistentes que tolerem pouca luz e não exijam CO2. Estas são as mais agradecidas:

  • Anúbia nana: quase indestrutível, cresce presa a troncos ou rochas. Muito lenta.
  • Feto de Java: epífita como a anúbia, ideal para esconder a entrada do filtro e decorar troncos.
  • Cryptocoryne wendtii: planta de raiz para primeiro plano e zona média. Pode «derreter» ao ser transplantada, mas volta a rebentar.
  • Musgo de Java: cobre troncos e rochas e é um abrigo perfeito para camarões e alevins.
  • Valisnéria e espada-amazónica: plantas de fundo; a espada agradece pastilhas de adubo nas raízes.
  • Hygrophila e Ludwigia: caules de crescimento rápido que absorvem nutrientes e travam as algas nas primeiras semanas.
  • Plantas flutuantes como a Salvinia ou o Phyllanthus: consomem muito nitrato e dão sombra (não as deixes cobrir mais de um terço da superfície).

Plantas como a Rotala rotundifolia crescem sem CO2, mas só ficam avermelhadas com boa luz. As plantas de tapete como a Hemianthus callitrichoides «cuba», pelo contrário, são para high-tech.

Como plantar

  1. Prepara as plantas: retira o vaso e a lã de rocha com cuidado, apara raízes muito compridas e tira folhas danificadas. Se vierem in vitro, lava o gel.
  2. Planta com o aquário meio cheio ou com o substrato húmido: é muito mais prático. Usa pinças compridas para espetar caules e plantas pequenas.
  3. Raiz enterrada, coroa de fora: nas criptocorines e espadas, enterra as raízes mas deixa livre a base das folhas.
  4. As epífitas não se enterram: anúbias, feto de Java e Bucephalandra atam-se com fio ou colam-se com cola de cianoacrilato a troncos e rochas. Se enterrares o rizoma, apodrece.
  5. Caules um a um: separa os caules e planta-os individualmente, a 1-2 cm uns dos outros, retirando as folhas da parte enterrada.
  6. Planta muito desde o início: quanto mais massa vegetal houver, menos espaço e nutrientes sobram para as algas.

Atenção: nunca deites restos de poda nem plantas a mais no esgoto, num rio ou num lago. Muitas plantas de aquário são invasoras e algumas, como a Cabomba ou a Pistia, estão proibidas na UE. Oferece-as, troca-as ou deita-as fora secas no lixo.

Poda e manutenção

As plantas de caule podam-se cortando a parte de cima com uma tesoura comprida; a parte cortada pode ser replantada e o caule que fica ramifica. Se os caules de baixo estiverem despidos, é melhor replantar as pontas e retirar as bases velhas. Nas plantas em roseta (espadas, criptocorines) cortam-se as folhas exteriores velhas pela base. As epífitas quase não precisam de poda: tira as folhas com algas ou amareladas.

A rotina semanal de um aquário plantado é simples: mudança de água de 20-30 %, retirar folhas mortas, podar o que tapa a luz às plantas de baixo, limpar o vidro e adicionar o adubo. Uma pequena equipa de limpeza ajuda muito: otocinclos, camarões e caracóis nerite comem algas sem estragar as plantas.

O equilíbrio: como evitar as algas

As algas não aparecem simplesmente por «excesso de nutrientes», mas por desequilíbrio: mais luz do que as plantas conseguem usar com o CO2 e o adubo disponíveis, ou plantas que não crescem e deixam nutrientes livres. Estes sinais ajudam a ajustar:

SintomaCausa provávelO que fazer
Folhas velhas amarelasFalta de azoto ou potássioAdubo completo, verificar nitrato
Folhas novas pálidas ou brancasFalta de ferroMicronutrientes com ferro
Furos nas folhasFalta de potássioAdubo com potássio
Algas em pincel ou barbaCO2 baixo ou instável com muita luzBaixar a luz ou melhorar o CO2
Algas verdes no vidroLuz a mais ou fosfatos altosReduzir horas de luz

Se já tens um problema sério, consulta o guia de algas no aquário. E lembra-te: o aquário tem de estar ciclado antes de receber peixes, mesmo que esteja cheio de plantas.

Erros típicos

  • Plantar pouco «para ir testando»: as algas ocupam o espaço. Melhor encher desde o início com plantas baratas de crescimento rápido.
  • Deixar a luz 10-12 horas: as plantas não aproveitam e as algas sim.
  • Escolher plantas exigentes sem CO2: as plantas de tapete e as vermelhas desfazem-se numa montagem low-tech.
  • Enterrar anúbias e fetos: o rizoma apodrece.
  • Adubar sem medir nem observar: nem às cegas nem nunca; começa com meia dose e ajusta conforme as plantas.
  • Comprar plantas que não são aquáticas: algumas lojas vendem plantas terrestres (dracena, «bambu», singónio) que apodrecem debaixo de água.
  • Mudar tudo ao mesmo tempo: se ajustares luz, adubo e CO2 no mesmo dia, não saberás o que resultou.

Equipamento recomendado para este guia

Iluminação LED para aquário plantado 8.4 Nota AcuarioSano: 8.4 em 10
Fertilizantes para plantas de aquário 9.3 Nota AcuarioSano: 9.3 em 10
Kits de CO₂ para aquário 8.6 Nota AcuarioSano: 8.6 em 10

Perguntas frequentes

É possível ter um aquário plantado sem CO2?+

Sim. Com luz moderada e plantas resistentes como anúbias, feto de Java, criptocorines, musgos ou valisnéria, um aquário sem CO2 adicionado cresce bem e dá muito pouco trabalho. Só as plantas de tapete, as vermelhas intensas e alguns caules finos precisam mesmo de CO2.

Qual é o melhor substrato para plantas?+

Um substrato nutritivo tipo aqua soil é o mais prático para plantas de raiz e de tapete. Se preferires gravilha ou areia inerte, funciona bem com pastilhas de adubo enterradas junto às plantas de raiz. As epífitas, como anúbias e fetos, não dependem do substrato.

Quantas horas de luz precisam as plantas de aquário?+

Entre 6 e 8 horas por dia com temporizador. Num aquário novo convém começar com 6 horas e aumentar aos poucos se as plantas crescerem bem e não aparecerem algas. Mais horas não compensam uma luz fraca.

Porque é que as minhas criptocorines derretem?+

É uma reação normal à mudança de condições: as folhas cultivadas fora de água ou noutro aquário desfazem-se depois do transplante. Se as raízes estiverem saudáveis, deixa a planta no lugar; em duas ou três semanas costuma rebentar com folhas submersas.

De quanto em quanto tempo se adubam as plantas?+

Num aquário low-tech basta adubo líquido uma ou duas vezes por semana, depois da mudança de água, começando por metade da dose recomendada. Em aquários com CO2 e muita luz aduba-se quase todos os dias porque as plantas consomem muito mais.

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